
Certa vez, diante das suas indecisões e indiferenças, decidi atravessar a rua e deixar para trás a calçada que você, cheio de mitificações, chama de "sua". Eu estava disposta à respirar novos ares, habitar outros corpos, beijar novos lábios. Mas ao chegar do outro lado, vi pessoas que subiam e desciam a rua apressadas, que não se permitiam sentir. Homens esnobes e mulheres fúteis, que com a mesma pressa que andavam, envolviam-se e, por consequência, desconheciam o amor. Logo ele, o amor!
Um vazio, então, tomou conta do meu ser. Me sentia desnorteada, e não havia nenhum abrigo que me fizesse sentir segura, uma vez que aquele lado da rua era desconhecido para mim. De repente, uma sensação vigorosa me fez despertar: algo dentro de mim dizia que o que eu procurava, estava bem perto. Cheia de esperança, comecei a correr e desviava das pessoas que passavam por mim. Eu tinha pressa! Uma luz no fim da rua me convidava a chegar mais perto. Essa luz era você de braços abertos e um sorriso regozijante, me chamando para atravessar a rua de volta.
Como uma mãe que ensina ao filho, você segurou minha mão e me mostrou que aquele lado da calçada era o NOSSO lugar, que lá todos reconhecem o amor, esse sentimento visceral que garante alegria e paz aos corações. E eu não tenho dúvidas, que foi esse mesmo sentimento que fez com que você atravessasse a rua e me trouxesse de volta.
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